“Corpo Elétrico” tem pré-estreia em João Pessoa com debate; saiba os detalhes

A conversa após a exibição será mediada pelo Janela7 e transmitida ao vivo

O filme “Corpo Elétrico“, longa de estreia do cineasta Marcelo Caetano e protagonizado pelo ator paraibano Kelner Macêdo, terá uma pré-estreia em João Pessoa nesta terça-feira (08), no Cine Espaço, do Mag Shopping, às 19:30h. A sessão será aberta, basta adquirir o ingresso. Após a exibição haverá um debate com participação do diretor, do protagonista e dos atores Lucas Andrade e Linn da Quebrada. O bate-papo será mediado pelo editor-geral do Janela7, o jornalista e crítico de cinema Sandro Alves de França – e transmitido ao vivo pela página do site no Facebook. O filme entra em circuito nacional no dia 17 de agosto.

Sobre o filme

“Corpo Elétrico acompanha a história de Elias (Kelner Macêdo), um jovem que tenta equilibrar seu cotidiano entre o trabalho em uma fábrica de vestuários e encontros casuais com outros homens. Em cada cama que Elias se deita um universo se abre a partir das narrativas contadas pelos personagens. São corpos enlaçados que se acariciam, vozes que falam baixo e suavemente, amantes que relatam encontros, aventuras sexuais, sonhos.  “Meu desejo era falar de formas de amar mais livres e generosas, distante do amor romântico e seus conflitos já tão manjados”, explica o diretor Marcelo Caetano.

Caminhada

Elias ama de forma leve e solar. Ele tem 23 anos é gay e paraibano, migrante em São Paulo e  usa cada encontro para moldar um pouco sua personalidade se tornando uma espécie de prisma humano, capturando tudo que pode de seus parceiros. Ele transita entre o masculino e o feminino, pode ser o trabalhador empenhado, mas também um anarquista debochado. Dessa forma, o filme  questiona também os lugares socialmente estabelecidos para gays, negros, mestiços, migrantes, operários.

Um romance de formação

Nas palavras do diretor Marcelo Caetano, Corpo Elétrico é uma espécie de “romance de formação”, pois aborda o amadurecer de um jovem em meio a ebulição dos seus desejos e da potência do corpo, ao mesmo tempo em que se apropria de si mesmo, dos espaços onde circula e suas vivências.

sheherazade

“Corpo Elétrico é um romance de formação. Elias chega na fase adulta com muita dificuldade em balancear o mundo dos prazeres e o mundo do trabalho. Na verdade, ele apresenta resistência a viver determinados conflitos por não acreditar no valor que o sucesso profissional e a felicidade conjugal tem em nossa sociedade. É preciso amadurecer em uma outra chave. Buscar uma virada afetiva. Neste sentido, amo filmar os encontros. E os amo quanto mais improváveis eles são. Talvez essa seja a faceta política mais proeminente do filme, resistir a intolerância construindo elos entre pessoas socialmente distantes. Não os julgar. Nunca os julgar”, pontua Marcelo.

Ele explica que título do longa foi inspirado na poesia do poeta norte-americano Walt Whitman. “O filme tem influência do poema ‘Eu canto o Corpo Elétrico’ de Walt Whitman, em que o autor americano celebra a beleza dos corpos, independente da idade, gênero, cor e forma. A escolha da palavra e a força da narração são estruturais no meu processo de falar desses corpos, desse grupo de pessoas. Elias é meu porta-voz: como a Sherazade de Mil e uma Noites, ele narra suas aventuras como se quisesse, pela sedução do relato, adiar o fim de sua juventude”, conclui.

Sobre o diretor

Marcelo Caetano nasceu em Belo Horizonte em 1982. Ele dirigiu os curtas “Bailão” (2009), “Na sua companhia” (2011), “Verona” (2013) e “Blasfêmea” (2017) co-dirigido com Linn da Quebrada, exibidos em importantes festivais como Rotterdam, Clermont-Ferrand, Indie Lisboa, Huesca, Montreal; vencedores do prêmio de melhor curta nos Festivais de Belo Horizonte, Mix Brasil, Janela de Cinema de Recife, Libercine (Argentina) entre outros. Corpo Elétrico é seu primeiro longa-metragem. Foi co-roteirista e assistente de direção de “Mãe Só Há Uma” (2016/Anna Muylaert, prêmio Männer no Festival de Berlim); assistente de direção e ator de “Boi Neon” (2015/Gabriel Mascaro, prêmio do júri na mostra Orizzonti do Festival de Veneza), produtor de elenco de “Aquarius” (2016/Kleber Mendonça Filho, seleção oficial de Cannes), diretor assistente de “Tatuagem” de Hilton Lacerda. Seu próximo longa, “Baby” foi contemplado pelo Hubert Bals Fund de desenvolvimento de roteiro.

Repercussão

H02A7068 - 16.9

“Corpo Elétrico” começou sua carreira no Rotterdam Film Festival na Holanda e participou de importantes festivais como o de Guadalajara no México, onde recebeu o Prêmio Maguey, Festival de Hong Kong, Off Camera, Krakow na Polônia, BFI Flare em Londres, Outfest de Los Angeles, entre outros 10 festivais anunciados até agora e mais 5 para anunciar em breve. O filme vem obtendo uma recepção entusiasma da crítica, sendo considerado um dos mais interessantes lançamentos do cinema brasileiro em 2017.

Confira o trailer de Corpo Elétrico:

 

Deixe um Comentário