Direto de Cannes, Maeve Jinkings fala sobre Aquarius; confira entrevista exclusiva

Maeve Jinkings é sem dúvidas um dos nomes mais respeitados do novo cinema brasileiro. Braziliense radicada há anos em Pernambuco, foi na terra do frevo e do Mangue Beat que ela se projetou como artista, sendo comumente classificada como atriz pernambucana. Filmes pernambucanos como Boi Neon, de Gabriel Mascaro, Amor, Plástico e Barulho, de Renata Pinheiro e O Som Ao Redor de Kleber Mendonça Filho mostram o quanto ela é talentosa e versátil.

E é por mais um filme genuinamente pernambucano e novamente dirigido por Kleber Mendonça Filho que ela está de volta as telas de cinema, Aquarius, que foi aclamado pelo público e pela crítica do 69º Festival de Cinema de Cannes e é um dos favoritos a Palma de Ouro. Sobre essa possibilidade ela é cautelosa e diz que não está criando expectativas sobre isso. “Eu já frequentei festivais suficientes para entender que é muito imprevisível e que o melhor mesmo é você aproveitar os encontros que o festival te proporciona”, declarou.

Falando ainda sobre a repercussão entusiasmada que Aquarius tem tido em Cannes, ela comemora. “A percussão tem sido incrível! As críticas têm sido extraordinárias”, celebra. “As pessoas gostam muito do filme!”, ressalta. Ao final da exibição no festival o filme de Kleber Mendonça foi aplaudido durante dez minutos tamanho o frisson causado.

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Maeve Jinkings em Cannes 2016. (Foto: Getty Images)

Em Aquarius, Maeve interpreta Ana Paula, filha da protagonista Clara, vivida por Sônia Braga. Ela entra em conflito com a mãe, que resiste a se desfazer do apartamento em que mora e vende-lo para uma grande imobiliária, que quer construir um grande e moderno empreendimento no lugar. Para viver esse antagonista entre mãe e filha na ficção, a atriz conta que buscou referências em histórias familiares de conhecidos. “Olhei muito para essas histórias de abismos inclusive ideológicos, de um certo distanciamento que você vai construindo algumas vezes numa família onde, no entanto, também existe amor”, revela.

Confira a entrevista completa que a correspondente especial do Janela 7 em Cannes, Tuna Dwek, fez com a Maeve Jinkings:

A repercussão de Aquarius em Cannes

A repercussão tem sido incrível! As críticas têm sido extraordinárias e as pessoas, principalmente, falam muito com a gente, as pessoas param a mim e ao Humberto (Carrão, ator do filme) na rua, falam do filme, chamam a gente do outro lado rua, gritam ‘Aquarius”. As pessoas gostam muito do filme! É um filme muito forte, muito político também. Tem sido bom, tem sido muito gostoso ver como o filme chega nas pessoas

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Maeve na coletiva de imprensa de Aquarius em Cannes 2016, ao lado da protagonista Sônia Braga, que interpreta sua mãe no filme.

Expectativas quanto a premiação para o filme

Em relação a expectativa eu confesso que eu não tenho. Eu já frequentei festivais suficientes para entender que é muito imprevisível e que o melhor mesmo é você aproveitar os encontros que o festival te proporciona, tem pessoas interessantíssimas aqui reunidas, muita gente bacana, a gente está conhecendo muita gente, a gente está se divertindo, fazendo amigos, contatos profissionais. Então, eu acho que é isso que é o mais importante dos festivais.

Composição da personagem em Aquarius

Acho difícil falar da composição da personagem porque as pessoas não viram o filme, então, eu fico com receio de revelar demais, sabe? A minha personagem é a filha da Sônia (Braga, protagonista do filme) e de alguma maneira ela tem um antagonismo em relação a personagem da Sônia. Então, eu acho que olhei muito para as relações familiares, para os abismos que existem entre as relações e principalmente a dificuldade que às vezes a gente tem de enxergar uma pessoa muito especial que vive muito próxima da gente, que eu acho que é um pouco o meu caso em relação a personagem da Sônia.

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Engajada politicamente: ao lado da protagonista Sônia Braga e outros colegas de elenco, Maeve protesta contra o golpe parlamentar no Brasil. Os conflitos ideológicos e gerações são tema presente em Aquarius. “É um filme muito político”, afirmou ela.

Foco nos conflitos familiares

A personagem da Sônia é uma mulher incrível e esses abismos, essas diferenças entre eles um pouco que borram essa imagem que a filha tem da mãe. Mas é uma relação construída com muita complexidade pelo roteiro do Kleber, então, não é só isso. É uma relação que também comporta amor, que também tem preocupações, carinho e mágoa também.

Basicamente pesquisei e olhei para a histórias de pessoas que eu conheço onde existem muitas diferenças – Ideológicas, inclusive. E a gente está vivendo num país dividido (politicamente) onde muitas pessoas, inclusive se queixam disso, de diferenças ideológicas dentro das famílias, as pessoas rompendo com familiares. Então eu acho que eu olhei muito para essas histórias nessa pesquisa para (compor) a personagem, a Ana Paula. Olhei muito para essas histórias de abismos inclusive ideológicos, de um certo distanciamento que você vai construindo algumas vezes numa família onde, no entanto, também existe amor.

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