Dirigido por filho de Glauber Rocha, filme brasileiro sobre o Cinema Novo é premiado em Cannes

O documentário Cinema Novo, de Eryk Rocha, foi a primeira produção brasileira premiada na edição 2016 do Festival de Cannnes. Venceu o L’Oeil D’Or (Olho de Ouro, em tradução livre), uma premiação paralela que elege o melhor documentário de todo o festival.

O filme conta a história do movimento homônimo que teve início no final dos anos 1950, ganhou força nos anos 1960,  mudou a cara do cinema nacional e ganhou o mundo com uma estética ousada, cheia de experimentalismo e de referências políticas e sociais.

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Cena de Deus e o Diabo na terra do Sol, de Glauber Rocha. Um dos maires clássicos do Cinema Novo, cenas do filme aparecem no documentário premiado dirigido por Eryk Rocha.

Filho de Glauber Rocha, considerado o maior nome do Cinema Novo, Eryk resolveu incorporar esse vanguardismo estético que o tema do documentário enseja e produziu uma espécie de filme-ensaio, onde as imagens de arquivo intercaladas de trechos de mais de 130 filmes contam a história do movimento que projetou o cinema brasileiro para o cenário internacional. Entre as obras que aparecem na produção estão alguns clássicos como Terra em Transe, Vidas SecasRio, 40 Graus, Deus e o Diabo na Terra do Sol, A Falecida e Os Herdeiros, cuja cena aparece acima, ilustrando a matéria.

Sobre o papel do Cinema Novo na cultura e na história do cinematografia brasileiro e a repercussão que um documentário sobre ele pode alcançar, Erik ressalta que o movimento tinha as lentes voltadas para o futuro e questionava qual é o lugar da política e do cinema no mundo em que se vive. “Se o filme criar esse espaço de reflexão, já me dou por satisfeito”, acrescentou o diretor.

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Eryk Rocha, diretor de Cinema Novo. Filho de Glauber Rocha, ele usou a ousadia estética para narrar a história do movimento que mudou a cara do cinema brasileiro.

Esse é quinto longa-metragem dirigido por Erik Rocha e seu quarto documentário. Ele dirigiu apenas uma ficção, o filme Transeunte (2010), que foi premiado no Festival de Cinema Latino-Americano, no Festival do Cinema Brasileiro de Brasília e também no Festival de Guadalajara, no México.

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