A 69ª edição do Festival de Cannes terminou com resultados mais que surpreendentes. A cerimônia de premiação aconteceu neste domingo (22) e deixou boquiaberto quem apostava no favoritismo de filmes como ‘Toni Erdmann’, de Maren Ade, ‘Elle’, de Paul Verhoeven ou do brasileiro Aquarius, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho. Ao final, sagrou-se vencedor o filme ‘I, Daniel Blake’, do diretor britânico Ken Loach, que levou o prêmio mais importante, a cobiçada Palma de Ouro. Essa é a segunda vez que Loach conquistou a premiação principal de Cannes – ele também venceu em 2006 pelo filme Ventos da Liberdade

Os favoritos do público, da imprensa e da crítica especializada foram quase que completamente preteridos pelo Juri Oficial de Cannes, comandado pelo veterano cineasta George Miller, diretor de Mad Max. As especulações de que Miller não teria tido “pulso” para presidir o júri e que isso teria acarretado várias discussões acaloradas entre os membros, deixando o resultado embaralhado e imprevisível, ganham força depois da divulgação da lista dos premiados.

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O Juri da 69ª edição do Festival de Cannes. O presidente George Miller aparece ao centro, de óculos edondos com lentes alarajandas. As escolhas desse grupo causou surpresa e perplexidade. (Foto: AFP)

Há anos que não havia uma distopia tão grande entre as apostas da crítica e os escolhidos do Juri Oficial, provocando perplexidade generalizada. Quem imaginava ver a filipina Jaclyn Jose vencer o prêmio de melhor atriz por Ma’Rosa, quando todas as apostas giravam em torno de Isabelle Huppert (Elle), Ruth Negga (Loving) e da brasileira Sônia Braga (Aquarius)? E as surpresas não pararam por aí. Juste la Fin du Monde de Xavier Dolan e Personal Shopper de Olivier Assayas foram vaiados em suas exibições, mas acabaram laureados com o Grande Prêmio da Crítica e Melhor Direção, respectivamente – este último dividido entre Assayas e Cristian Mungiu, por Graduation.

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O iraniano Shahab Hosseini venceu o prêmio de Melhor Ator em Cannes por sua performance no filme The Salesman, que ganhou também o prêmio de roteiro, sendo o único filme dessa edição do festival premiado duas vezes. A única confluência entre o Juri Ofical e a crítica desta edição.

O iraniano The Salesman, do mesmo diretor do aclamado A Separação, foi o único dos premiados desta edição de Cannes que teve alguma convergência com a opinião do público e da crítica do festival. Também foi o único a levar mais de um prêmio, o de Melhor Ator para Shahab Hosseini e o de Melhor Roteiro, que é assinado pelo diretor Asghar Farhadi.

Brasil premiado

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João Paulo Mirando, diretor do curta brasileiro ” A Moça que Dançou Com o Diabo”, que conquistou Menção Especial do Juri do juri de Cannes.

Apesar de Aquarius, que era um dos grandes favoritos, não ter levado nada, o cinema brasileiro conquistou dois prêmios nessa 69ª edição de Cannes. O filme Cinema Novo, de Eryk Rocha venceu, o Olho de Ouro de melhor documentário, premiação paralela integrada ao festival desde 2005. Já o curta A Moça que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda, teve Menção Especial do Juri na categoria Curta-Metragem.

Confira a relação completa dos premiados por categoria e por mostra:

Juri Oficial

Palma de Ouro: I, Daniel Blake, de Ken Loach
Grand Prix: “Juste La Fin du Monde”, de Xavier Dolan
Prêmio do júri: “American Honey”, de Andrea Arnold
Ator: Shahab Hosseini, “The Salesman”
Atriz: Jaclyn Jose, “Ma’ Rosa”
Direção: Empate entre Cristian Mungiu por “Graduation” e Oliver Assayas, por “Personal Shopper”.
Roteiro: “The Salesman”, de Asghar Farhadi

Curta-Metragem

Palma de Ouro: Timecode, de Juanjo Giménez
Menção Especial: A Garota que Dançou com o Diabo, João Paulo Miranda Maria

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A filipina Jaclyn Jose foi uma das grandes surpresas da premiação de Cannes. A protagonista de Ma’Rosa levou o prêmio de Melhor Atriz desbando as favoritas Isabelle Huppert (Elle), Ruth Negga (Loving) e a brasileira Sônia Braga (Aquarius).

Cinéfondation

Primeiro prêmio: “Anna”, de Or Sinai
Segundo lugar: “In the Hill”s, de Hamid Ahmadi
Terceiro lugar: Empate entre “The Noise of Licking”, de Nadja Andrasev e “The Guily”, de Michael Labarca.

Mostra Un Certain Regard

Prêmio principal: “The Happiest” Day in the Life of Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
Prêmio do Júri: “Harmonium”, de Kōji Fukada
Melhor Diretor: “Matt Ross”, de Captain Fantastic
Melhor roteiro: “Delphine Coulin and Muriel Coulin”, de The Stopover
Prêmio Especial: “The Red Turtle”, de Michael Dudok de Wit

Premiações Paralelas

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Filme brasileiro Cinema Novo, de Eryck Rocha, venceu o Olho de Ouro de melhor documentário.

Golden Eye (Melhor documentário): “Cinema Novo”, de Eryn Rocha
Palm Dog (Melhor animal em Cena): Nellie, em Patterson
Queer Palm (Melhor filme de temática LGBT): “The Lives of Thérèse”, de Sébastien Lifshitz

Câmera de Ouro (Melhor filme de diretor estreante): “Divines”, de Hounda Benyamina

Fipresci (prêmio da crítica): “Toni Erdmann”, de Maren Ade
Prêmio do juri ecumênico: “Juste la Fin du Monde”, de Xavier Dolan

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O a francês Jean-Pierre Leáud foi homenageado com a Palma de Ouro Honorária, prêmio dedicado a ícones do cinema. Ele tornou conhecido por protagonizar o filme Os Incompreendidos, de Truffaut, clássico da Nouvelle Vague.

Cannes Soundtrack Award (melhor trilha sonora): The Neon Demon
Palma de Ouro Honorária: Jean-Pierre Leáud

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