Livro de cineasta paraibano sobre Cinema Noir é lançado nesta quinta-feira

Lançamento acontece no Cine Banguê, às 19h, seguido da exibição do filme "Rebeca, a mulher inesquecível", de Hitchcook, que terá apresentação do crítico João Batista de Brito

O cinema noir é o tema do novo livro do cineasta e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Bertrand Lira, “Cinema Noir. A sombra como experiência estética e narrativa”. Depois de escrever sobre elementos estéticos do expressionismo alemão, Bertrand faz uma uma análise do subgênero cinematográfico que ganhou força no cinema holywoodiano das décadas de 20 e 50 do século XX. O lançamento acontece nesta quinta-feira (08), no Cine Banguê, localizado no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa (PB).

O estudo é feito à partir de cinco filmes noirs: Relíquia macabra (O falcão maltês), de John Huston (1941), Envolto nas sombras (1946), de Henry Hathway, Almas perversas (1945) e Maldição (1950), de Fritz Lang, e A marca da maldade (1958), de Orson Welles.

No livro, além desse clássicos do Noir, Bertrand deu uma pincelada análitica por Cidadão Kane (1941), de Orson Welles, que, embora não conste das listas de filmes noirs, seu estilo visual absorveu muito da fotografia expressionista, apresentando pelo menos quatro momentos de magistral uso de sombra e luz que vai marcar outros filmes de Welles, entre eles, A marca da maldade, tido como noir por conjugar conteúdo (tema, personagens, enredo) e forma (convenções narrativas, estilo visual) peculiares ao gênero. Coincidentemente, Cidadão Kane foi realizado no mesmo ano de Relíquia Macabra, que inaugura o filme noir. Por outro lado, A marca da maldade é, para alguns autores, o marco final do cinema noir clássico.

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Lira foca sua análise no estilo visual desses cinco filmes com sua fotografia (em preto-e-branco) contrastada e com elaborado uso dramático do claro-escuro – associado a temas mórbidos e macabros – com toda a carga simbólica que o embate luz-sombra luz representa.

Para Rose Panet, que assina o prefácio do livro, “o autor explica os artifícios do cinema noir, que utiliza os contrastes de claro-escuro dos expressionistas, somados a silhuetas através de prismas como portas e janelas de vidro ou outros, como escadas, águas e espelhos que servem de leituras dramáticas para metáforas da condição moral dos personagens. O contraste entre luz e sombra, preto e branco cuidadosamente arquitetados para enfatizar o tom de terror, mistério, suspense, niilismo, morte e dor, e as significações imaginárias do Bem e do Mal, que destes contrastes decorrem na intenção de acentuar o impacto emocional no espectador do cinema noir”, avaliou.

Sobre Bertrand Lira

Bertrand Lira é professor Associado do Departamento de Comunicação em Mídias Digitais e do Programa de Pós Graduação em Comunicação (PPGC) da UFPB e coordenador do Grupo de pesquisa em Cinema e Audiovisual (Gecine). Realizador, dirigiu diversos documentários de curta, média e longa-metragem em super-8, 16mm e vídeo (“Bom dia Maria de Nazaré”, “O senhor do engenho”, “Crias da Piollin”, “Homens”, “O rebeliado” e “O diário de Márcia”, entre outros), premiados em festivais no Brasil e no exterior, entre eles o JVC Grand Prize do 26º Tokyo Vídeo Festival  e o Excellence Award do JVC Tokyo Vídeo festival de 2004. Realizou estágios em documentário no Atelier de Réalisation Cinématographique (VARAN) em Paris (1982 e 1986).

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O cineasta, fotógrafo e professor da UFPB, Bertrand Lira, é considerado um dos principais nomes do cinema na Paraíba.

Autor dos livros “Fotografia na Paraíba: Um inventário através do retrato (1850-1950)” (1997), “Luz e Sombra: significações imaginárias na fotografia do cinema expressionista alemão (2013)” e “Cinema Noir: a sombra como experiência estética e narrativa” (2015).

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