“O reencontro”, um filme sobre cuidar e amar. Confira crítica

Protagonizado por Catherine Deneuve e Catherine Frot, o drama é um dos maiores destaques da programação do Varilux 2017

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Parteira. Eis a primeira sugestão de tradução do título original do filme francês que no Brasil recebeu o título de “O reencontro”. Parteira. Em francês “sage-femme”. Se escrito sem hífen, como está no cartaz do filme, sage femme significa mulher sábia. As duas formas se encaixam muito bem na trama. Estrelado por Catherine Deneuve (De Cabeça Erguida e O Homem Que Elas Amavam Demais), como a extravagante Beatrice, o longa-metragem tem seu título voltado para médica obstetra sensível e sábia, Claire, vivida pela atriz Catherine Frot (Marguerite).

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Parturear

O lado afetivo, maternal e profissional de Claire é revelado por sutilezas. Dona de uma casa situada ao pé do Rio Sena, um tanto distante da grande movimentação da cidade, Claire tem seu afeto revelado no cuidado. Cuidado esse que é percebido no trato de suas plantas, das flores e da sua horta. Cuida, mexe na terra, partureia, e, assim, facilita o nascimento de novas vidas. Da mesma forma, esse cuidado aparece em outro tipo de nascimento: o humano.

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Com dedicação à sua profissão, pequenos elementos narrativos de cuidado no trato de suas pacientes são entregues aos espectadores através de nascimentos de bebês salteados durante quase duas horas de filme.

Mãe de Simon (Quentin Dolmaire), jovem estudante de medicina que decide seguir a profissão da mãe, Claire inicia outro processo de cuidado: o de ser avó. Em meio a todo esse emaranhado de afetos e dedicação, Claire se reencontra com a antiga amante de seu pai, sua madrasta Beatrice, que não vê há mais de trinta anos. Esse reencontro faz as duas, reviverem, cada uma da sua forma, as memórias, as dores e os amores.

Roteiro e trilha sonora

O filme pode ser percebido como uma obra de roteiro. Com camadas suaves, o drama se torna comédia e a comédia pede espaço para o drama. Escrito e dirigido por Martin Provost (Violette), o tema, que poderia ser tratado de forma dura, é bordado por afetos e cuidados. Nele, a simplicidade de uma mulher é contestada pela extravagância da outra. Mas ambas buscam viver, cada uma a seu modo, é claro. Entre memórias, em decorrência desse reencontro, surgem raivas, medos, rancores, e o principal, a quebra de orgulho em ambas, o que possibilita efetivas mudanças internas.
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Beatrice surge na trama como “a sempre bela mulher”, mas, que agora, necessita da ajuda da “ex-enteada”. Claire se mostra cada vez menos fechada em seu universo após a volta de Beatrice. São quebras de paradigmas, exercícios de colocar-se no lugar da outra e esquecer o orgulho. A partir do novo vínculo, surge então uma amizade entre elas. Pode se dizer que há por parte de Claire um exercício de sororidade, de colocar-se no lugar de outra mulher e ter uma empatia que transforma e enobrece.

A trilha do filme também ajuda a contar esse enredo ou a deslocar o espectador da história. Composta por Grégoire Hetzel, este elemento é um caso à parte. Ora leva o espectador para imersão na narrativa, ora afasta para o universo poético, imaginário, simbólico.

Sobre plantas e amor

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Das plantas, da vida simples, outro movimento que bate à porta de Claire é Paul (Olivier Gourmet), um caminhoneiro, filho de seu vizinho numa pequena propriedade que cultiva à beira do Rio Sena, nos arredores de Paris. Paul surge na trama para mostrar uma possível continuação da transformação da vida de Claire após a volta ao passado promovida pela espevitada e enigmática Beatrice.

Com pitadas clichês, quase que beirando o melodrama, o filme pretende mostrar que é possível mudar, sair da zona de conforto, voltar ao passado e nele se reencontrar.

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“O reencontro” será novamente exibido na quinta-feira (15), no Cinépolis – Manaíra Shopping; na sexta-feira (16) e no sábado (17), no Cinespaço – Mag Shopping.

 

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