O triunfo do engajamento: 6º Curta Coremas supera dificuldades e se consolida; Confira os premiados

Festival de cinema do Sertão da Paraíba vira símbolo de resistência e uma vitrine para o cinema independente

O Curta Coremas fechou sua sexta edição como uma das principais vitrines do cinema independente no Brasil e, sobretudo, uma ação de fomento à produção e veiculação de audiovisual no interior. Durante os quatro dias de festival (28 a 31 de julho) houve diversas atividades que, de alguma forma, integraram a cidade de Coremas, no Sertão paraibano, ao universo da Sétima Arte.

Foram dias de imersão da população da cidade à proposta de ver cinema na rua, debater com realizadores dos filmes e participar de oficinas que introduziram e ajudaram a ampliar os conhecimentos sobre as mais variadas áreas do audiovisual. O Curta Coremas é mais uma das ações culturais que tem como objetivo principal ampliar o circuito exibidor de filmes brasileiros e colaborar com a formação de público.

Oficinas

A primeira oficina do Curta Coremas 2016 foi uma atividade promovida antes do seu início oficial. A oficina “Realização Audiovisual” foi ministrada pelo cineasta Léo Leite, natural do Recife (PE), e desenvolveu junto aos estudantes de Coremas as habilidades e etapas para se fazer um filme. Ao final, os adolescentes e jovens produziram um curta de documentário chamado “O Canto do Galo”, sobre a história da cidade e que é construído através de depoimentos de seus moradores. O workshop “Introdução aos elementos sonoros no cinema contemporâneo” foi conduzido pelo técnico de som e pesquisador fluminense João Paulo Gohar, que apresentou a uma sala completamente lotada as principais características do som cinematográfico e a evolução sonora e artística do cinema.

Filmes premiados

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Premiados da sexta edição do Curta Coremas posam para foto.

As quatro mostras competitivas da 6ª edição do Curta Coremas – “Olhar Infantil”, com filmes com temática infanto-juvenil, “Rio Turbinas”, de filmes curtos, “Panorama Brasil”, de produções de outros estados, “Primeiros Passos”, dirigidos por cineastas estreantes e “Mãe D’água”, de curtas paraibanos – exibiram 40 filmes e dentre esses, alguns se destacaram e foram premiados pelo público e pelo juri oficial. “O Som do Morro”, documentário dos potiguares Diana Coelho e Hélyo Ronivon, sobre os jovens da periferia de Natal que sonham se tornar MCs foi o grande vencedor da mostra Primeiros Passos, levando 3 prêmios (Fotografia, Direção e Melhor Filme).

Outra produção de destaque no 6º Curta Coremas foi o documentário paraibano “Sala de Reboco – A história de Zé Marcolino”, de Ana Célia Gomes, que venceu o prêmio do Juri Popular. A ficção “O Nome do Dia”, arrebatou três prêmios na mostra “Panorama Brasil” (Fotografia, Ator e Atriz, esses dois últimos divididos) e na Mostra Mãe D’água os curtas “Aroeira” (Direção, Ator e Som) e “Praça de Guerra” (Melhor Filme) foram os maiores vencedores.

Confira abaixo lista completa dos premiados na Curta Coremas 2016:

MOSTRA RIO TURBINAS

– Troféu Incentivo Melhor Vídeo Curtíssimo: “Kidchup” de Carolina

Veirano

MOSTRA PRIMEIROS PASSOS

Melhor Fotografia: “O Som do Morro” de Diana Coelho e

Hélyo Ronivon

Melhor som: “A página” de Guilherme Andrade

Melhor Ator: Antônio Cunha por “Esplendidezas”

Melhor Atriz: Rosângela Modesto por “A procura do sol”

Melhor Direção: Diana Coelho e Hélyo Ronivon por “O Som

do Morro”

Melhor Filme: “O Som do Morro” de Diana Coelho e Hélyo

Ronivon

MOSTRA PANORAMA BRASIL

Melhor roteiro: Rosinha

Melhor fotografia: Tiago Scorza por “O nome do dia”

Melhor som: “Até a china” de Marcelo Marão;

Melhor direção de arte: Carlos Mosca por “Um brinde”

Melhor Ator: André Campos por “Olhos de Arthur”; e

Carlos Takeshi por “O nome do dia”

Melhor Atriz: Mywa Yanagizawa por “O nome do dia”; e

Maria Alice Vergueiro por “Rosinha”

Menção honrosa: “Pontos de vista” de Fábio Yamaji;

Melhor direção: Beth Formaggini por “Uma família ilustre”

Júri Popular: “O menino do dente de ouro” de Rodrigo

Senna

Melhor filme: “Uma família ilustre” de Beth Formaggini;

MOSTRA MÃE D’ÁGUA

Melhor roteiro: Diego Benevides por “Cumieira”

Melhor montagem: Ivanildo da Silva e Taciana Silva por

“Amargo da cana”

Melhor fotografia: Kennel Rógis por “Manancial”

Melhor som: Bruno Alves por “Aroeira”

Melhor direção de arte: Fabiana Cordeiro por “Um poema

com café”

Melhor ator: Fernando Teixeira por “Aroeira”

Melhor atriz: Raquel Ferreira por “Velhos tempos”

Menção honrosa: “Navio” – alunos do projeto Alumbrar

Melhor direção: Ramon Batista por “Aroeira”

Júri Popular: “Sala de Reboco” de Ana Célia Gomes

Melhor filme: “Praça de Guerra” de Ed Gomes

Fora Temer!

Fora Temer - Curta Coremas

O ‘Fora Temer’ também teve seu espaço no 6º Curta Coremas

O festival também foi palco de uma manifestação pela democracia, em defesa das políticas culturais e contra o presidente interino do Brasil, Michel Temer.

E para 2017…

Realizar o 6º Curta Coremas não foi tarefa fácil. Com dificuldades de patrocínio, o organizador do festival, Kennel Rógis, teve de se desdobrar para garantir a continuidade do evento. As dificuldades foram tantos que se chegou a cogitar até mesmo o cancelamento. “Depois que passa tudo a gente sente aquele alívio”, revela Kennel sobre ter conseguido superar os percalços para realização dessa edição.

O cineasta destaca que a superação e a força do engajamento da equipe são o maior saldo da sexta edição do Curta Coremas. “Ver que a gente conseguiu, de fato, com tão poucos recursos, com o apoio da prefeitura (de Coremas), com o apoio do coletivo Turbina Cultural e dos nossos agregadores, que sempre dão uma força nesse quesito financeiro – que é a grande ‘pedra no sapato’ do festival”, pontuou Kennel

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O cineasta Kennel Rógis, idealizador e coordenador do Curta Coremas.

“A gente tem um projeto grandioso que nunca consegue ser captado (em recursos) da forma que deveria ser captado.Isso é um pouco triste, mas mesmo assim conseguimos fazer o festival com o que os nossos patrocinadores nos dão, mesmo com limitações – e conseguimos fazer bem feito. A gente consegue fazer a cidade lotar, a economia gira, a cultura está na porta das pessoas, democrática e acessível, todo mundo pode participar”, complementou.

Patrocínio

Sobre a questão do patrocínio, o Curta Coremas recebeu a autorização do Ministério da Cultura (Minc) para captar recursos através da Lei Ruanet, que capta patrocínio de empresas e pessoas físicas através de renúncia fiscal. Esperançoso de que a próxima edição do festival possa contar com mais suporte financeiro, Kennel segue correndo atrás de apoio.

“Aprovamos pela (Lei) Ruanet, um projeto generoso, com música, cinema, oficinas. O nosso grande problema é achar a empresa que faça a dedução fiscal com a gente através da Ruanet”, explica Kennel. “Até agora não obtivemos resultado. O projeto está aprovado e está bem feito, mas nós ainda não conseguimos um empresa com essa visão de captar e ajudar o Curta Coremas”, acrescentou ele, para depois pedir ajuda nesse processo. “Fica o apelo de quem souber e puder nos dar esse caminho, fazer essa ponte com o empresariado”, concluiu.

 

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