Os 50 anos de “Um Homem e Uma Mulher”, clássico homenageado no Festival Varilux 2016

O filme está na programação do Festival Varilux 2016. Para ver dia e horário de exibição em todo Brasil, clique AQUI. Em João Pessoa (PB), clique AQUI.

Os clássicos no cinema francês são numerosos, de modo que fica difícil escolher entre tantas obras-primas, tantos filmes marcantes que trazem emoção, inovação, simbolismo e que são verdadeiros ícones da Sétima Arte. Alguns apenas cresceram com o passar dos anos, justificando assim o uso do termo “clássico”, que em seu conceito aplicado às artes remete a uma obra artística que é referência e cujo valor é universalmente reconhecido. É o caso de Um Homem e Uma Mulher (França, 1966. Direção: Claude Lelouch), filme clássico homenageado da edição 2016 do Festival Varilux, por ocasião dos 50 anos do seu lançamento

O filme conta a história de um homem e uma mulher, como o título já ilustra, que se conhecem através de uma visita dominical à escola onde os filhos estudam, um colégio interno. Ela, Anne Gauthier (Anouk Aimée), é roteirista de cinema enquanto que ele, Jean-Louis Duroc (Jean-Louis Trintignant) é um piloto de corridas de automóveis. Na volta, Anne acaba perdendo o seu trem e Jean-Louis lhe oferece uma carona até Paris.

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Anne Gauthier (Anouk Aimée) e Jean-Louis Duroc (Jean-Louis Trintignant) , dois viúvos cuja fragilidade e cumplicidade amadurece uma relação.

Os dois são viúvos: o marido de Anne morreu numa explosão no set de filmagens onde atuava como dublê e a mulher de Jean-Louis cometeu suicídio. Ambos enfrentam a dor de uma perda traumática, a responsabilidade de cuidar dos filhos sozinhos e levar a vida adiante. Eles passam a se ver todos os domingos e compartilhar histórias, dores, alegrias e perspectivas, até que dessa relação de amizade com estreita cumplicidade vai brotando algo mais.

Vencedor de dois Oscars – Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original – e também da Palma de Ouro em Cannes, o filme obteve mais de 40 prêmios mundo afora e entrou para a história da cinematografia como uma das obras mais notáveis, com recursos estéticos ousados para a época como, por exemplo, fotografia em cores e em preto-e-branco para representar momentos emocionais diferentes dentro da narrativa. As performances do casal de atores que protagoniza o longa também estão entre elementos mais notáveis, a francesa Anne Gauthier foi inciado ao Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação nessa película.

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As fotografias do filme: em cores e preto-e-branco, elas representam épocas e estados emocionais diferentes.

Considerado uma pérola da Nouvelle Vague, foi o filme que consagrou o cineasta francês Claude Lelouch, que chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Diretor. A trilha sonora composta por Francis Lai foi também aclamada mundialmente, abrindo espaço para que o compositor e pianista vencesse, anos mais tarde, o Oscar de Trilha Original por Love Story (EUA, 1970. Direção: Arthur Hiller). Um detalhe interessante é que a música do filme teve contribuição brasileira: Francis Lai contou com a participação dos músicos Vinicius de Moraes e Baden Powel, em um dos temas do filme, “Samba Saravah”.

Curiosidades

O diretor e roteirista Claude Lelouch fez uso da variação das duas fotografias para representar os tempos da narrativa e suas respectivas emoções: a em cores remete as lembranças do passado enquanto que a preto-e-branco à atualidade em que se passa a história do enredo.

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Um homem, uma mulher: 20 anos depois, com o mesmo casal de atores-protagonistas.

Vinte anos mais tarde, em 1986, Lelouch realizou uma sequência do filme chamda Um Homem, Uma Mulher: 20 anos depois com a mesma equipe central, os atores Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant como protagonistas, o co-roteirista Pierre Uytterhoeven e o compositor da trilha musical Francis Lai.

Esse filme é considerado a base do que viria a ser conhecido como a estética de Claude Lelouch, trazendo elementos narrativos como o uso da câmera móvel e uma temática alicerçada nas relações humanas, enfatizando as relações de gênero entre homens e mulheres.

Principais premiações

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira
Oscar de Melhor Roteiro Original (Claude Lelouch, Pierre Uytterhoeven)

Festival Internacional de Cannes, França
Prêmio Palma de Ouro (Claude Lelouch)
Prêmio OCIC (Claude Lelouch)

Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira
Prêmio de Melhor Atriz em um Drama (Anouk Aimée)

Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Atriz Estrangeira (Anouk Aimée)

Prêmios Blue Ribbon
Blue Ribbon de Melhor Filme Estrangeiro (Claude Lelouch)

Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Diretor de Filme Estrangeiro (Claude Lelouch)

Associação dos Jornalistas Críticos de Cinema do México
Prêmio Deusa de Prata de Melhor Atriz Estrangeira (Anouk Aimée)

Círculo dos Roteiristas de Cinema, Espanha
Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro

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